quarta-feira, 12 de outubro de 2011

infância .


Eu gostava muito de sol e o cheiro da chuva me irritava. Gostava de viver de olhos abertos, de sentir o vento forte em meu rosto, de cantar bem alto minhas canções preferidas.
As coisa eram simples, mas eu gostava de complicar.
Eu queria crescer, acreditava que isso me tornaria livre, que boba eu, pensei que os adultos fossem frios por opção.
Eu não fazia ideia do quanto dói ter um coração partido no peito. Eu não fazia ideia de como é sorrir sem vontade alguma, de como é sentir sua garganta apertar e ter que olhar para cima e morder os lábios por não poder chorar. Eu não sabia o que era andar por um caminho inútil e mesmo assim não poder desistir. Eu não sabia como era ter que cuidar do coração de quem destruiu o meu.
Eu tenho que seguir, e não olhar para trás, se fosse só saudade tudo bem, mas é vontade de voltar também.
Eu não gosto mais de sol, e o barulho da chuva é minha canção de ninar, o cheiro eu nem sinto mais. O vento estraga meu penteado, fujo dele. E as canções, elas só me estragam todo o meu disfarce, não posso me dar ao luxo de ouvi-las.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

gentil .


Ninguém é perfeito.
Ninguém é totalmente bonito, nem feio.
Ninguém é tão forte quanto diz, nem tão fraco quanto parece.
Ninguém é tão honesto quanto gostaria, nem tão corrupto quanto os outros dizem.
Somos humanos, fracos, sensíveis, vulneráveis, limitados, interdependentes, e ao mesmo tempo fortes, destemidos e livres.
Não sabemos quem somos, mas gostamos de imaginar.
Aquele reflexo no espelho não sou eu, aquela é uma imagem que eu criei de mim mesma, nada confiável.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

relógio .



O tempo passa .
magoada, traída, enganada.
eu preciso aprender a lidar com minha vida adulta, ou preciso escapar de dentro da minha cabeça.
ainda o amo, ainda estou sozinha.
o outono está escapando por cada suspiro meu e eu tenho a terrível certeza de que esse inverno não vai me trazer qualquer conforto .

quinta-feira, 7 de abril de 2011

apenas .


Eu costumava acreditar que as pessoas eram o que elas tinham, vestiam e o que elas podiam comprar. Eu costumava acreditar que as pessoas podiam se moldar de acordo com o que elas gostavam e com o que elas queriam fazer. Mas não podem.
Eu estava errada, na verdade eu estou quase constantemente errada.
Estive errada tantas vezes e isso não me impediu de quebrar a cara, e quando eu quebrei, meu conhecimento não fez com que doesse menos.
Antes eu me importava, agora eu nem me importo mais, eu descobri que me sentia infeliz porque eu sempre tentei proteger as pessoas que eu amava, eu senpre estive disposta a assumir a dor para que elas não se machucassem. Eu tentei ser nobre, mas a nobreja já não é grande coisa.
As pessoas não hesitam em me oferecer seu lado frio e doloroso, e então por um momento, só por um momento eu pensei que pudesse ser cruel como elas, mas há uma parte de mim que eu não posso mudar.
Eu sempre vou ser a garota atrás da porta, a garota no fim da fila, no fundo da sala; a garota que sempre diz sim e esconde as lágrimas sob uma maquiagem péssima, um discurso ruim e um sorriso falso.
E quando eu olhar no espelho dia apos dia eu verei, um eco da garota que eu fui um dia, e sempre vou me lembrar de um passado que eu tentei segurar em minhas mãos, mas que escapou por entre meus dedos sem que eu pudesse fazer nada para evitar.
Eu sei que perdi muitas partes de mim, e já não sou nem a metade do que eu fui um dia, mas essa sou eu. Ninguém vai mudar, nem eu mesma poderia mudar se quisesse.
E você é você, apenas você, e por baixo dessa roupa que você usa, da sua maquiagem e independente do quanto você tem, será sempre você. E um dia você vai perceber que há coisas sobre você que nunca vão mudar.
As pessoas, no fundo, elas nunca mudam, as vezes elas se perdem no mundo, e as vezes se perdem dentro delas mesmas, mas nunca mudam.

domingo, 3 de abril de 2011

Fireworks .

Eu achava que sabia de tantas coisas, eu achava que era capaz de fazer muitas coisas. Eu não sei e respectivamente eu não sou.
Eu achava que eu era má, e então percebi que eu era uma gota d'agua num mar de sangue.
Eu achava que poderia magoar alguém, mas até nisso eu sou insuficiente.
Eu me considerava importante demais.
Eu podia abrir os olhos e te dizer: "Eu sou seu pior pesadelo!"
Mas eu não sou nada disso. Eu era uma gota d'agua num mar de sangue.
Eu era transparente demais, talvez pequena demais para ser notada. Mas eu era diferente.
Ainda sou diferente. As vezes boa, as vezes má. Eu não sou impressionante como fogos de artifício, mas quando eles se consomem nos céus eu brilho com suas luzes. O sangue não brilha.
O sangue é o sangue, absorve tudo ao seu redor, e embora eu tenha passado a vida inteira tentando ser como o sangue, eu ainda sou água, e água é apenas água, que reflete tudo.
A vida inteira eu me lamentei por nunca conseguir manter nada, as coisas sempre passaram por mim e se foram, e eu apenas servi para que elas se lavassem, só restavam as coisas ruins, isso parecia tão triste do meu ponto de vista.
Não lamento mais, não desejo ser nada além de uma gota d'agua e continuar por aí lavando as coisas ruins das outras pessoas. Ainda posso ser só eu mesma, e brilhar de vez em quando, e eu não vou me queimar por isso .

Memórias de uma gota d'agua .

about me .

Entre todas as coisas estúpidas que tem acontecido também há coisas boas.
As vezes eu fecho meus olhos, acho que há mais negativismo dentro de mim do que ao meu redor. Isso assusta um pouco.
Mas enfim, meu livro está indo bem, por incrível que pareça eu saí da página 1 e agora estou na página 37! São só dois capítulos e meio, mas é um avanço. A história está me deixando maluca, mas é bem a minha cara, não posso contar muitos detalhes, mas em breve eu terei meu próprio romance épico, no livro haverá um pouco de tudo: amor, guerra, traições, mistérios e muita sedução (66').
Enfim estou morrendo de saudades daqui e a vida não têm sido nada fácil, mas eu volto em breve pra contar as novidades.
Saudades daqui.
xoxo'

quarta-feira, 30 de março de 2011

rotina .

Muitas coisas mudaram ao meu redor. É como se nada fizesse muito sentido agora.
Eu costumava pensar que a vida era mais divertida, mais cativante; engano meu, a vida é uma rotina, um caminho, um papel em branco que você precisa preencher com suas cores e texturas, usando sua criatividade e todo o seu tempo.
Eu estou andando delicadamente nas margens do meu papel, estou seguindo uma trilha reta, sem curvas, sem desvios, e em meu caminho tampouco há cores, não as quero, não as venero, elas são boas, mas só machucam quando se vão. Estou cansada dessas coisas boas, que vem me me alegram e repentinamente vão embora e me deixam sangrando, em pedaços. Não as quero mais, não quero nada disso!
Enfim, meus beijos e meus abraços já não são grandes coisas, eu estive certa quando disse que não seria mais a mesma desde o último inverno, a primavera me trouxe flores mas elas não amenizaram nada; o verão me troxe um calor issuportável, além de cicatrizes que nunca vão se curar, e esse outono têm um gosto amargo; não vejo esperança nenhuma no inverno.
Mas a vida continua, o tempo não para e eu fiz promessas, e tenho que cumpri-las pra continuar sendo quem eu sou. Não posso esperar que o tempo me cure, pois o tempo não cura nada, não ouve ninguém. Tenho de me suturar sozinha, tenho que seguir em frente, vou encontar um caminho, tenho que encontrar.

Saudades do meu lar.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

meu lar .

nunca vou me sentir tão em casa quanto me sinto aqui .
as vezes eu ando na rua e pessoas conhecidas mas que tinham pouco contato comigo me chamam de "a garota do blog", ou dizem: "eu li o diário da Meghan" .
é tão infinitamente gratificante estar aqui com vocês, me lembro da tarde do dia oito de novembro de 2010 como se fosse hoje, eu tremia e soluçava, molhei o teclado com minhas lágrimas, eu usava uma foto fake e usava o pseudônimo de Meghan E . e eu criei isso aqui apenas para desabafar, pra contar ao mundo coisas que eu não podia mais conter aqui dentro .
e hoje as pessoas lêem, elogiam, criticam, e eu ainda estou aqui, e me orgulho tanto disso, esse espaço é tão meu, me faz tão bem, estar aqui com vocês é como estar em casa, como vocês já foram informados e informadas vou diminuir o ritmo dos post em todos os blog's.
Mas O Diário de Meghan sempre terá prioridade pra mim! Penso muito antes de postar algo aqui, e sempre tento ser muito fiel a vocês leitores .
O The Riot Kiwi, me outro pequeno e novo blog ficará parado um tempo, assim que eu puder volto com tudo e atualizo tudo!
Sentirei muita saudade de vocês amigos e amigas .
Aqui no blog tem link's do meu orkut e twitter, adicionem se puderem, não se esqueçam de mim!
amo muito vocês!
Sentirei muita falta do meu lar, mas a partir desse momento vou fazer todas as coisas da forma mais certa o possível e quando eu voltar pra cá espero ter novidades e uma pitada de alegria nas novas postagens .
amo vocês .
xoxo'

Pausa .

eu precisava me despedir, mesmo sem ter muita certeza de que alguém sentirá minha falta, ficarei um tempo ausente aqui, não sei exatamente quanto tempo, espero que não seja muito! Por dois motivos válidos:
1º: Vou me mudar pra casa da minha melhor amiga, e não sei por quanto tempo ficarei lá e antes que alguém venha me dar motivos pra mudar eu já tomei minha decisão, e ponto final, e lá não tem net, então terei que me contentar em roubar a net dos vizinhos então não sei como vai ser daqui para frente .
2º: Minhas sinceras desculpas a vocês, mas isso pode soar como uma traição, mas eu preciso  de tempo e paciência para escrever meu livro, e não posso me desgastar tanto, na verdade além desse blog eu posto quase diariamente em mais um tumblr e dois blog's (um deles anônimo), além de sustentar meu diário e experiências em um fórum (também anônimo, não revelo nunca . há!), é muito cansativo, já que eu não aceito copiar nem reblogar nada de ninguém, por consequência disso meu livro (sorry, não posso postar o nome aqui,) está parado .
Não vou desaparecer, de forma alguma, vou apenas diminuir o ritmo, afinal sou adulta, tenho que fingir que sou responsável (shit,)vou sentir falta de estar aqui o tempo todo, sinceramente, muito obrigada a vocês que me seguem e me suportam, continuem seguindo (please), vou sentir saudades, apareço em breve .
Me desejem sorte com o livro !
Bjo’s e obrigada, amo vocês, que me dão um motivo pra nunca desistir do meu sonho! Em breve eu espero ter meu primeiro livro prontinho!
sz’

sábado, 19 de fevereiro de 2011

cicuta .

acordei com a luz do sol me cegando, o vento do litoral leva a maresia até minha cama, posso jurar!
e hoje a guerra recomeçou .
sociedade, querida sociedade .
não posso mais fingir que tudo está tranquilamente normal, não posso fingir que vai ficar tudo bem quando o sol se pôr, quando na verdade eu preciso manter a boca fechada e os olhos bem abertos, mas isso já não basta, porque também tenho que manter meus membros em constante funcionamento .
me disseram que o sábado é um péssimo dia para começar algo, mas me disseram tantas outras coisas nas quais eu me recuso a confiar também!
então querida sociedade eu não estou disposta e te entregar meu coração, muito menos a abrir minha cabeça para que você possa trocar todas as peças de lugar e me montar de uma nova forma, mas eu posso permitir que você coloque um pouco de veneno na minha bebida .
vamos lá sociedade, tente me corromper, venha aqui tente me envenenar, me reinvente e me leve com você, porque me manipular você nunca conseguirá .
sabe aquele copo ali? aquele à esquerda? é o meu; vamos lá, coloque o veneno, tomarei obediente a seguir .

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

partes .



as vezes sou emocional, as vezes eu sou um furacão, as vezes sou simples e fácil de decifrar, as vezes eu sou cheia de mistérios e contradições, as vezes eu sou revolucionária e cheia de idéias, as vezes eu sou um barco vazio e sem conteúdo, as vezes eu sou um refrão repetitivo, as vezes eu sou um hino para algumas pessoas, as vezes eu sou amada e ouvida, as vezes eu sou deletada e esquecida . 
eu sei que tudo na vida tem altos e baixos, eu sei que meus momentos nunca são só meus, porque eu também sei que estou sendo constantemente ouvida e observada, e sei que alguns esperam que eu supere algumas expectativas, e isso faz parte da vida de todas as pessoas, mas eu me recuso a subir no palco, eu me recuso a ser alguém legal e popular, eu me recuso a ser parte do teatro cotidiano, eu me recuso a ser o que a sociedade espera de mim, eu prefiro ser essa merda aqui do que viver sob a sua pele, eu sei  que é o frio, eu sei o que é a dor e eu estou aqui porque fui capaz de superar tudo isso, e você, o que é capaz de enfrentar? 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

estabilidade .



quando ele me abraça eu afogo me rosto em seu ombro, porque eu não quero que ele me olhe daquele jeito de quem sempre espera algo; e eu não posso dizer a ele que não tenho nada a oferecer, não posso dizer que eu sou inabitável, quebrada e irrecuperável; então eu aperto meu corpo contra o dele implorando para que as lágrimas não me entreguem, e eu fico presa e enterrada em seu abraço, covarde demais para olhar em seus olhos, covarde demais para deixá-lo ir .




texto postado no meu tumblr: My Obsession 
visitem, posto diariamente lá .

domingo, 13 de fevereiro de 2011

terapia .

Olhar o céu, no momento em que o sol nasce, saber que quem se ama dorme, feliz, nos braços de outro alguém, desconhecido, o amor, a felicidade, a compreensão, isso não faz parte de quem nós somos, faz parte de quem queremos ser, do que desejamos ter e do que merecemos .
Estou tão decididamente perdida, mal-humorada e sensível .
As vezes eu quero culpar o mundo, mas ainda há algo em mim, uma parte que nunca morre, um véu tênue, mas que eu não consigo destruir, há algo que faz com que eu sinta necessidade de ser amada, compreendida, abraçada, humana .
Não estou pisando em brasas, mas estou sentindo meus pés queimarem, quando ando pelas ruas por onde costumávamos andar juntos eu vejo nossos rostos sorrindo e eu vejo sorrisos que não são os nossos, e eu viajo por memórias de vários tempos, de tempos em que fomos felizes e de tempos em que eu vaguei no escuro sozinha .
Não quero permanecer assim, não quero olhar para trás e ver que minha vida foi um tempo que eu perdi olhando o mundo da minha janela, sempre evitando o risco por medo da dor .
Me sinto presa, me sinto como um peixe preso num aquário depois de ter vivido um dia no oceano, porque sei exatamente como é magnífica a vida lá fora, e sei que meu oxigênio aqui é controlado pela atenção que dirigem a mim .
Isso não é a vida real, não, não é, eu sei o que é viver e é bem diferente do que está acontecendo agora .
Sub-vida, preciso encontrar minha humanidade .

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

sal .


eu sempre digo que estou bem, mesmo que por dentro eu esteja em ruínas .
hoje eu saí pra respirar um pouco, mas honestamente essa cidade se tornou tóxica pra mim desde que ele me deixou, até respirar aqui machuca .
as palavras estão fugindo de mim esta noite, talvez o sono me vença e eu possa sonhar com algo melhor do que minha realidade, talvez não .
a vida não é feita apenas de altos e baixos, também há o tempo neutro, em que você tem que esperar que a maré venha até você, ela demora, e pode ser que traga uma magnífica estrela do mar, ou pérolas de inestimável valor; talvez traga um tsunami para tentar te fazer desistir; ou pode ser que traga apenas espuma e calmaria .
apenas respire e ande pela areia, não espere nada, jamais espere, apenas deixe chegar ou vá buscar pessoalmente .

respire fundo agora, seu coração bate forte, vá embora, não fique aqui, vá fazer algo, vá ser quem você sempre sonhou.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

brinquedo .


eu tropeço, física e emocionalmente;
eu me recomponho, bochechas coradas, coração acelerado, respiração profunda, passa .
eu olho ao redor na esperança de que ninguém esteja prestando atenção aos meus deslizes, eu abro as cortinas e vejo as cadeiras vazias, eu vou aos bastidores e não há ninguém pra me maquiar, ou me preparar; minha roupa não está pronta, meu cabelo está desajeitado; eu olho para as câmeras todas desligadas, e respiro aliviada, ninguém reparou meu pequeno deslize.
e um segundo depois eu compreendo a solidão em que me encontro, e então tudo desaba, esse é o momento exato em que tudo desaba, acontece depois do erro, acontece quando você tem que aprender a admitir que a solidão é sua unica companhia .
esse é o momento de descer do palco e encarar a vida real .

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

nostalgia .


Sabe aquela dor que você deixou quando se foi?
Sabe aquela sensação de que eu nunca fui realmente importante?
Tudo isso passa quando você esta perto de mim, mas há algo entre nós, uma barreira que você criou pra me impedir de te tocar e saber se o que eu sinto por você ainda é real, ou apenas um delírio criado pela dor que eu nunca superei .
É difícil ter que olhar todas as fotos minhas em que eu queria que você estivesse, dói sentir o gelo em minhas mãos e saber que você está a poucos passos de distância e mesmo assim é impossível tocá-lo .

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Calipso .

as vezes eu me sinto tão facilmente manipulada quanto um barco à deriva, e as vezes eu me sinto tão vazia e inabitável quanto um pedaço de madeira abandonado em lugar qualquer do oceano, sempre guardando na pele as memórias de que eu já fui algo melhor .
mas nesse meio tempo eu estou consciente, porque há uma parte de mim que não se entrega, nunca se entrega totalmente, há uma parte de mim que está acordada aqui dentro, vendo a vida passar através da densa bruma do mar, através do nevoeiro que me impede de ver o que há além da escuridão que não parece ter fim .
eu estive boiando, mas isso não durou muito tempo, pois logo veio a tempestade, avassaladora e destemida, e me afogou num oceano de lágrimas onde cada soluço tomava o lugar de minha respiração, onde eu cheguei a pensar que sucumbiria ao mar e me fundiria a ele, eu cheguei a pensar que seria o fim, me entreguei à correnteza, porque haviam água, areia, pedras e todo tipo de coisas que sempre machucam em excesso .
eu não sabia porque eu ainda tremia, não sabia porque ainda doía afinal eu já havia desistido de lutar, e eu esperava que meu corpo também desistisse .
mas então após meses na escuridão eu abri meus olhos e percebi que não havia mais bruma, havia apenas o céu infinitamente azul, e a areia não mais me machucava, e então eu tentei me levantar, mas eu já não estava sozinha, havia uma garota, a mais bela garota que eu poderia imaginar e ela sorriu pra mim, mas em seus olhos havia uma solidão tão profunda e dolorosa que eu tive vontade de correr, eu entrei em pânico .
então uma lágrima rolou por sua face, e eu me levantei abruptamente, ela me seguiu até a praia, onde havia uma pequena jangada à espera, ela não fez sinal para que eu prosseguisse, também não me pediu pra ficar, apenas segurou minha mão por um segundo antes que eu puxasse e novamente entrasse em pânico.
eu subi na jangada, como se a garota fosse nociva, ou contagiosa, eu nem ao menos fui capaz de perguntar nada a ela, simplesmente subi e quando olhei pra trás vi seus olhos azuis hesitarem à beira das lágrimas, e então eu fechei os meus por um segundo e percebi que eu estava errada, enganada, que eu era um idiota .
eu abri os olhos mas não havia nada que eu pudesse fazer porque em menos de um segundo a ilha estava a milhas e milhas de distância, e então eu lutei contra a correnteza, eu remei até meus braços parecerem pesos mortos, mas em pouco tempo a ilha se perdeu de vista .
e eu voltei a ser um pedaço de madeira flutuando no mar, tão longe de tudo, tão absolutamente vazia que até as tempestades se foram, nunca mais encontrei a ilha .
porque ninguém jamais encontra a ilha de Calipso duas vezes .
e agora eu vago por aí arrependida das palavras que eu não disse, do esforço que eu não fiz pra me manter segura e amada .

Quando encontrar a sua ilha de Calipso, pense duas vezes antes de subir na jangada, não espere reconforto dos mares que só te afogam e te machucam .

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

bom dia anamia .

estou aqui nesse exato momento me perguntando o que leva uma pessoa a cometer um erro da qual ela está ciente das possíveis consequências, e mesmo assim há algo metafísico que a impulsiona nessa direção .
eu não entendo, sinceramente hoje eu estou aqui a beira do precipício e estou tentada a pular apenas porque o chão não é um lugar agradável, eu estou tentando encontrar as palavras que expressem o que estou sentindo mas eu estou com medo, muito medo de perder mais do que já perdi .
Hoje de manhã antes de dormir eu disse: bom dia anamia!
e eu me comporto como se isso pudesse realmente me salvar de quem eu sou e dos desejos obscuros que eu já não posso refrear, mas eu preciso, preciso disso pra sobreviver, se por acaso eu começar a andar pela casa sozinha, se eu continuar a me envergonhar e fugir todas as vezes que eu errar o chão vai se abrir sob meus pés e eu não vou afundar, vou apenas flutuar no abismo, sem nuca provar que eu sou melhor que tudo isso, mas eu já fui melhor, já fui mais forte, já fui uma boa garota com uma pulseira vermelha no pulso esquerdo atualmente vazio, eu tenho que encontrá lá, eu tenho que mantê-la aqui dentro de mim para sempre .
Eu nunca mais serei a boa garota, eu nunca mais vou hesitar por medo de uma dor que eu nem sei se realmente existe, eu nunca mais vou parar pra pensar em como eu posso estar errada, porque eu não estou errada, eu estive, e mesmo que o céu ainda esteja claro e meus olhos ainda estejam apenas se acostumando com a luz, e acho que já não é tão cedo pra dizer: good night anamia, stay with me, I'll never let you go .

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

tentativa .

eu tive muito tempo pra pensar, fui forçada a encarar um pouco de realidade, o problema é que eu não suporto muito bem a vida real, o mundo não me assusta mais, mas sempre me surpreende, as vezes tenho a impressão de que se espalhássemos a população mundial pelos oceanos grande parte boiaria de tão vazia e superficial que é, enquanto alguns como eu, são capazes de se afogar em uma gota d'agua.
isso acaba comigo.
eu tive sucesso em proteger meu coração que está bem guardado, seguro e praticamente intacto, mas eu me pergunto se todo esse trabalho serviu para alguma coisa porque eu só sei que durante o tempo em que me afastei eu vi a vida passar por meus olhos como um borrão exatamente como vejo agora, o que faz toda a diferença é que agora meus pensamentos estão mais sadios e organizados, meu coração permanece congelado.
o mundo é um lugar duro e faz meses em vão que estou tentando me readaptar a ele, mas não obtive muito sucesso nisso, as vezes eu me sinto como uma cicatriz no mundo, como se no início eu tivesse sangrado e chamado a atenção, mas eu era contagiosa e ninguém podia se aproximar, então eu fui secando, e aos poucos eu desapareci e o que restou foi só uma marca do que eu fui no mundo, pouco pra quem foi pouco, eu não me curei na verdade é como se o mundo tivesse se curado de mim, como se o tempo estivesse sem tempo pra mim.
a dor continua aqui e eu tenho escondido meu rosto atrás de uma tela de computador pra não ter que encarar olhos arregalados da pura piedade que eu mais repulso, eu tenho fugido das lágrimas que me açoitaram em outubro e novembro, eu tenho me mantido seca e fria pra não me ferir novamente, mas a vida não é o tempo que você passa evitando a dor, a vida não se resume a pessoas covardes como eu, mas se eu pudesse escolher é claro que eu seria bem mais do que apenas isso.
agora estou aqui nesse exato momento tentando decidir o que fazer com o ar que eu tenho em meus pulmões, com cada gota de sangue que tenho aqui em minhas veias, com cada batimento que resta ao meu jovem e maltratado coração.
se eu pudesse eu seria uma daquelas pessoa que boiam pelos oceanos do mundo, se eu pudesse escolher a vida que quisesse pra mim eu escolheria ser tão superficial como uma folha que caí da arvore no outono, tão pequena e superficial que nada sente e nada faz sentir.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

abstinência .

eu senti tanta falta de estar aqui postando que tenho a sensação de estar voltando de uma longa viagem, é como se esse fosse meu verdadeiro eu, as vezes acho que estou aqui apenas pra contar histórias e transformar minha vida em palavras, que saudades do meu lar .

domingo, 23 de janeiro de 2011

livro aberto .

estou seriamente pensando em sair da cidade,
há coisas aqui que foram destruídas, e sei que minha atitude é extremamente covarde, mas eu não aguento mais ficar vagando por aí juntando os pedaços do meu coração para que o próximo vento os espalhem de volta ao meu redor, estou cansada de olhar o mar desse ângulo, cansada de ser calmamente observada pela minha família, certa de que estão apenas calculando o nível do meu fracasso e da minha solidão .
mas ainda não sei pra onde ir, estou pensando em recomeçar, mas estou confusa, estou tentando não deixar minha vontade desmoronar, porque estou me sentindo à beira de um precipício vinte e quatro horas por dia, está difícil localizar meu auto-controle, mas eu vou tentar encontrar uma saída, sem lágrimas e com o mínimo de dor possível, espero sinceramente que minha sanidade sobreviva a tudo isso, espero não cair do precipício, apenas isso . 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

acerto .

medo .
estou com medo do que há dentro de mim.
ontem à noite usei toda sinceridade que eu tinha, e desabafei.
disse tudo olhando nos olhos de alguém que tinha me machucado .
eu não quis causar dor, porém estou sentindo que fiz isso .
um dia ele disse que eu não signifiquei nada, mas ontem ele ficou paralisado e envergonhado quando eu disse que ele só vive pra destruir minha felicidade, será que isso significa algo?
queria que fosse mais fácil, queria poder levá-lo para o meu mundo particular, porque sei que há mais nele do que todo mundo vê .
queria que fosse verdade, queria que nós dois fôssemos algo além de dor, mágoas e mentiras .

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

eu .

Eu já fui uma garota triste, já fui uma garota depressiva, nunca fui chorona, mas já fui suplicante, já fui uma pequena garota com medo do mundo, já me escondi com medo de assumir quem realmente sou, já hesitei diante da opinião das pessoas, já levei muitos tapas na cara pra aprender que errar é humano e superar é necessário, já me comportei de forma ridícula, já perdi muita gente que eu amava, já aprendi a respeitar gente que eu odiava, porque pra quem acha que eu sou uma merda sem fim, talvez deva tentar levar a vida que eu levei, eu já fui abandonada, traída, enganada, rejeitada e isso tudo desde muito cedo, eu deveria estar chorando pelos cantos, mas eu não estou, porque hoje quando eu acordei eu percebi que minha vida vale muito mais do que a opinião de quem não tem dignidade nem pra me olhar nos olhos, aprendi que a vida é feita de momentos tristes e felizes, e que meu coração é feito de um material sensível demais pra andar exposto por aí, aprendi que se eu quero algo ninguém vai colocar em minhas mãos, eu vou descobrir o mundo, eu acordei e resolvi que vou sair por aí, fazendo tudo aquilo que eu sempre quis fazer, porque eu sei que os donos do meu coração não o levaram para o túmulo com eles, e se eu estou aqui é por algum motivo, e seja qual for o motivo, eu vou tentar fazer dele o melhor possível, vou fazer minha vida valer a pena, agora chega de me lamentar pelo que eu perdi nesses últimos anos, é hora de sair por aí e conquistar esse mundo que me mantém viva porque acredita em mim .

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

garotos .

até ontem garotos me viravam a cabeça, me faziam perder totalmente o controle, física e psicologicamente, mas hoje eu acordei pra mudar isso, não estou me tornando lésbica, não é isso .
é só que eu costumava ser a incrível RIOT GIRL, mas andei adormecida, apagada, ofuscada e até mesmo esquecida; mas não morta, descobri que quando você acorda, não importa se é dia ou noite, não importa por quantos séculos você tenha dormido, se você acorda não é tarde demais, nunca é tarde demais .
então vou parar de bancar a garota triste e carente que no fundo eu sei que não sou, vou parar de me apaixonar tão facilmente, vou guardar meu coração e usá-lo cada vez que eu me olhar no espelho, vou fazer tudo o que eu sempre quis, não vou mais me importar com o que os outros julgam ser o certo, hoje eu acordei e vi quem são os garotos .
e se os garotos querem brincar, eu vou brincar com os garotos;
e se eles quiserem fingir então acho que pode ser um ótimo jogo;
e se eles tentarem me enganar com palavras eu juro que já estou vacinada contra esse tipo .
garotos me fizeram sofrer, garotos me fizeram mentir por eles, chorar por eles, eu perdi coisas importantes por eles, perdi partes de mim por eles, mas tudo bem, eu perdôo os garotos, eu vou aprender a lidar com os eles sem envolver meu coração nisso .
Meggie está crescendo, está aprendendo, quebrando a cara, mas está evoluindo, agora ela irá reviver um novo mundo, o mundo das garotas: um mundo imprevisível onde nós ditamos as regras .



segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

tão humana quanto antes .

as palavras me fogem, quando minha razão se perde .
enquanto aquele que amo supostamente dorme, eu abro meus olhos para o lado escuro do mundo .
eu ouço as músicas que deviam me encher de esperança e me sinto tão vazia ou mais do que antes, eu rolo sob os lençóis tentando convencer meu corpo a desistir de esperá-lo, mas eu não sou tão dona de minhas vontades, não tanto quanto gostaria .
eu tento manter o que sinto aqui dentro, eu tento não deixar que nada escape para o mundo, e tento não admitir o quando esse sentimento vêm se tornando mais real pra mim a cada momento .
mas é impossível esquecê-lo, é impossível obrigar meus olhos a mentirem, uma vez que eles não podem ser manipulados, a expressão em meu rosto não pode ser apagada, ou ofuscada.
não é possível me distrair quando se trata dele, visto que todas as coisas me lembram seu rosto, seu toque, suas mãos, como posso fugir de algo que está ao meu redor o tempo todo?
como posso evitar que seu cheiro se torne minha fragrância preferida?
como posso te evitá-lo se eu passo o dia todo sonhando com seu abraço?
como poderia fugir se ele é minha única razão pra estar aqui?
como posso negar que o amo se eu fico em silêncio absoluto para não correr o risco de perdê-lo?
como eu poderia dizer tudo isso a alguém que nem sabe que eu existo?


arrg!

algo .

estou cansada de retirar o que digo, de me sentir na obrigação de proteger quem não dá a mínima pra mim, estou cansada de maquiar meu mundo  . 
cansada de ficar aqui parada e implorando para que alguém sinta pena de mim, cansada do poço que eu mesma cavei e me enfiei .
eu vou fugir daqui, eu não sou essa pessoa, não sou essa garota, eu estou me encontrando em cada gota d'agua nesse lugar, eu vou juntar cada parte de mim e fugir daqui, e quando eu chegar à superfície, espero que não seja tarde de mais . 

amarelo .

quando eu era criança o vermelho era minha cor favorita,
eu não gostava do rosa, porque era muito comum, e eu nuca quis ser comum .
me lembro que um dia minha mãe me disse que vermelho era a cor do amor, também era sua cor preferida, e tulipas vermelhas também eram suas flores preferidas, tínhamos muito em comum .
mas havia algo que eu discordava, algo que me deixa em desacordo com o mundo:
O amarelo ,
sempre tive uma relação curiosa com o amarelo, sempre me mantive em sua defesa .
um dia eu disse a minha mãe: o amor é amarelo .
ela riu e disse que eu era uma criança, mas eu já não era, e quando ela se foi eu deixei de acreditar no amor .
O amarelo se foi .
mas como nada dura para sempre eu novamente me deixei levar pelo amor das tulipas vermelhas que supostamente seria eterno .
mas eu só sangrei, porque sangrar é vermelho, e eu tenho vivido em vermelho vivo por quase seis anos .
mas as vezes eu me pergunto se seria possível acreditar novamente no amarelo, eu me pergunto se ainda há um pouco da criança que vivia aqui dentro de mim, eu me pergunto se há algo amarelo o suficiente para salvar minha vida .
e quando eu vejo aquele sorriso tímido e hesitante eu sei que é por ele que eu estive esperando, eu sei que o amarelo ainda está por aí em algum lugar do mundo, ou até mesmo em algum lugar guardado dentro de mim, e eu sinto que aquele sorriso é a chave que me levará de volta ao encontro de meu mundo, meu mundo amarelo .

quebradiça .

hoje eu preciso de um pouco de sinceridade que venha de dentro,
hoje eu preciso resgatar a qualquer custo aquela garota que eu conhecia e amava dentro de mim, eu preciso me lembrar de quem eu era, antes de ter meu coração destruído a anos atrás, preciso me apoiar em algo para não desmoronar .
eu tenho a sensação de que meu mundo está de cabeça para baixo, tenho a sensação de que tudo está fora do lugar, inclusive eu, tenho a sensação de que a qualquer momento eu vou acordar e será tarde de mais pra construir algo de bom . será tarde de mais pra mim .
nesse momento eu estou aqui me perguntando de onde os garotos tiram o poder de me reconstituir e me quebrar tantas vezes seguidas, estou me perguntando porque eu ainda me deixo levar, porque eu ainda por aí tão receptiva, tão facilmente persuadida, tão estável .
as vezes eu acho que nunca serei uma garota certa pra viver um relacionamento sério, e isso me deixa meio magoada comigo mesma, na verdade isso me deixa acabada, porque no fundo eu sou só uma garota, como qualquer outra que deseja um pouco de paz, um lar feliz e confortável .
acontece que garotas normais, que sonham com família e paz são diferentes de mim, elas não usam piercings ou tatuagens, elas não falam tantos palavrões quanto eu, elas não bebem pra esquecer um passado macabro, porque garotas normais não tem um passado macabro, garotas normais dormem a noite tranquilamente, e não ficam por aí a noite toda esperando que alguém as prove o quanto elas podem ser quebráveis .
hoje meu coração está aqui quase desistindo, porque eu tenho lembranças de quando eu era uma garota normal e eu vi tudo isso desmoronar, eu não me orgulho der exatamente como sou, mas eu posso dizer que eu tive experiências ruins que me fizeram crescer, que me fizeram ser forte, que me fizeram adquirir resistência a quase tudo que poderia atingir uma garota comum .
mas então por que estou perdidamente apaixonada por um garoto que nem olha pra mim dessa forma? 
por que meu coração ainda sangra por algo que ninguém se lembra mais?
e por que eu estou tentando esconder do mundo o que sinto?
respostas, que a vida nunca me facilitou, e o tempo nunca trouxe quando eu precisei delas .
mas hoje há uma certeza guardada em mim, se alguém alcança meu coração, isso é definitivo, porque um beijo me tornou tão sutil quanto uma fragrância ao ser levada pelo vento, tão sensível quanto as folhas secas do outono que insistem em cair, tão frágil como uma rosa na beira de um precipício, e esse mesmo beijo me tornou tão quebradiça quanto toneladas de cristal, cobrindo o mundo inteiro com meus pequenos pedaços ao redor dele, sob seus pés ele disse que era meu lugar, então é lá que eu ficarei, fazendo com que ele sinta a dor de ter me feito em mil pedaços, fazendo com que ele nunca possa ir pra longe de mim sem sangrar .
mesmo que eu seja apenas pequenos pedaços do que fui um dia, eu ainda estarei aqui, ainda estarei respirando sob seus pés, enquanto ele respirar .

domingo, 16 de janeiro de 2011

gesto .

estou aqui com minhas palavras que nada curam novamente .
estive preocupada com o rumo que as coisas estavam tomando, estive mentindo, tentei fugir de todas as coisas que tinha medo, tentei correr e me esconder por anos, e ainda estou aqui fazendo tantas coisas erradas quanto não deveria e me perguntando, será que estou perigosamente perto, de fracassar e nunca mais conseguir me levantar?
sincera e infelizmente, essa é uma resposta que ninguém domina até a queda .
eu já cansei de implorar para que alguém me ame, para que alguém me conserte quando eu quebrar, para que alguém me proteja quando eu sentir medo, para que alguém perceba minha solidão, as vezes eu me pergunto se sou menos especial ou importante do que as outras garotas, porque ninguém parece me ver aqui.
eu preciso de menos palavras e de mais gestos, eu preciso que alguém perceba que eu mordo os lábios pra não chorar, que eu me arrepio quando sinto medo, que eu abraço pra me sentir protegida, e que quando as lágrimas rolam é porque estou no meu limite.
eu só queria que alguém estivesse perigosamente perto de mim o suficiente para perceber o que eu sinto, alguém que não me julgasse, que não me deixasse tão abandonada, como estou me sentindo agora .
alguém que amo hoje fez um gesto por mim, capaz de apagar todas as dores da minha noite, mas o sol esta nascendo e sua luz aquece e queima, me cega, mas não diminui minha solidão .

sábado, 15 de janeiro de 2011

esquecer .

ele estava olhando pra mim, ele estava parado onde definitivamente não costuma ficar.
ele me machucou ontem a noite, eu estava embriagada e totalmente fora de mim, mas eu me lembro .
e mesmo depois de tudo o que eu passei, de todas as lágrimas que deixei rolar essa manhã, depois de todo o medo que senti, depois de ter certeza que eu nunca mais queria vê-lo e nem me lembrar dele, depois de ter ignorado quando ele bateu a minha porta .
então porque a coisa morta aqui dentro do meu peito pulsou loucamente quando o viu?
porque continua pulsando cada vez que me pergunto onde ele está e o que está fazendo?
ele já me disse que nada sente por mim, e aquele beijo nos machucou mais do nos satisfez, machucou muita gente, então eu tenho que esquecer, mas esquecer não é tão fácil como parece .
não posso dormir, não posso fugir do que estou pensando nesse exato momento, e isso não é nada bom, porque tem alguém com um coração sangrando aqui do meu lado, alguém que eu quebrei e preciso concertar .
mas então por que ninguém me conserta quando estou quebrada?
vou fingir pra mim mesma que eu sou capaz de deitar naquela cama e dormir sem me machucar, eu acho justo mentir pra mim mesma essa noite, porque esquecer o calor daqueles lábios que só me fizeram sofrer é impossível .

heartless .

sem coração, assim sou eu .
que nunca consigo proteger as pessoas que amo do meu próprio veneno, que nunca consigo me tornar uma pessoa que eu mesma seja capaz de admirar, eu vivo me agarrando ao meu passado pra não me afogar na vergonha do que eu tem sido meu presente, eu fico olhando as estrelas no céu e tentando manter apenas o brilho delas em minha mente, pra fugir, apenas pra fugir da vergonha que eu sinto por todas as coisas ruins que eu tenho feito .
eu tinha um coração que perdi a cinco anos atrás, e mesmo antes de perdê-lo eu nunca fui grande coisa, mas o que eu fiz essa noite está me matando por dentro, não há nada mais doloroso do que ver alguém sangrando por minha causa, eu preferia mil vezes ficar machucada do que fazer isso a ela .
mas agora é tarde demais, é tarde demais para arrependimentos, é tarde demais para essas lágrimas idiotas rolarem, é tarde demais para tentar dar vida ao vazio em meu peito, onde um dia bateu um coração que durou pouco, que valeu pouco .
sem coração, assim sou eu, vazia, inútil, como uma sombra fria andando pela terra, espalhando apenas frio e dor, em meu abraço amargo .

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Atlas .

eu estava pronta pra dizer algo, mas me esqueci o que era .
eu me lembro vagamente de quando eu não tinha um passado macabro e sinistro, mas eu não me lembro dos meus pensamentos naquela época, me lembro de mim como se fosse outra pessoa, como alguém que olha um retrato de alguém que conheceu e perdeu, e quando cinco anos vão aos poucos se tornando seis, e quando você vê o seu sorriso naquelas fotos antigas e no fundo você sabe que muita coisa se perdeu para sempre, você não pode evitar a dor .
lágrimas , infantis e imaturas que nada trazem de bom, que não provam absolutamente nenhum arrependimento, lágrimas são manifestações tão curiosas daquilo que sentimos, lágrimas quase nunca me comovem, quase nunca me enganam, e quase sempre rolam pela minha face, e então eu me pergunto: que tipo de farsa sou eu?
eu tive tempo para mudar, eu tive escolhas, e tive várias oportunidades para fazer tudo melhor, e nada fiz, porque eu sempre vivo perseguindo meus erros, porque eu não consigo acertar as contas com o meu passado, não consigo deixá-lo ir .
todas as vezes que eu penso a respeito daquilo que me deixa infeliz e chateada eu vejo claramente que isso só acontece porque eu deixo acontecer, eu deixo minha vontade de seguir em frente ir, e de repente meu passado volta e pesa em  minhas costas, como o peso do céu nas costas de Atlas, mas minhas condições são totalmente diferentes das do Titã, ele escaparia se pudesse, ele está condenado, ele está preso, somente outro alguém poderia libertá-lo .
e quanto a mim eu carrego fardo por escolha própria, eu mesma me prendi a essa condição, eu nunca se quer tentei escapar, eu estou sempre esperando que alguém venha me salvar, mas como poderia alguém me salvar daquilo que eu mesma escolhi pra mim?
Se você pretende se desprender de algo, seja sempre você o primeiro a quebrar as correntes .

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

infinito .

se alguém me perguntasse, eu esboçaria um sorriso e diria: jamais .
mas veja bem, aprenda a reconhecer minhas mentiras, aprenda a olhar nos meus olhos e ignorar um pouco o que eu digo, porque as palavras nunca foram minhas melhores amigas, não antes de você, então elas ainda não me inspiram confiança .
e todos os dias quando você se vai eu sinto vontade de correr atrás de você, e quando sou eu quem tem que partir, eu sempre fico adiando, sempre fico brincando de segurar o tempo em minhas mãos, mas ele sempre escapa por entre meus dedos, e ele te leva, te leva pra longe de mim .
há um oceano que te leva pra longe de mim, e todas essas nuvens aí no céu insistem em chorar quando estamos juntos, o vento que sopra em seus ouvidos insiste em apagar meu rosto do seu pensamento, e o tempo insiste em tentar nos afastar, mas o tempo que eu tenho pra te esperar é infinito.
eu estou de mãos atadas, mas meu coração está aberto como não esteve a muito tempo, eu me sentia como se estivesse enterrada, esquecida, mas agora você é a respiração que chega aos meus pulmões, você é o fogo que derreteu o sangue que havia congelado em minhas veias, você é aquele que viaja sete palmos abaixo da terra pra me salvar cada vez que olha pra mim .
então olhe em meus olhos, e veja, enxergue as mentiras que eu tenho contado todos os dias.
tente entender as razões pelas quais as vezes eu me fecho para o mundo, mas eu sempre estou aqui pra você, sempre estarei aqui, porque o tempo que eu tenho pra te esperar é infinito .

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ponto final .

as vezes eu me pergunto se eu sou exigente demais, se eu sou arrogante demais, e quase sempre a resposta é sim .
mas eu perdi um amigo, e não sei se há como recuperá-lo, eu estou tentando encontrar todas as explicações possíveis para o que aconteceu, estou tentando me lembrar onde foi que paramos, estou tentando deixar de ser orgulhosa ao extremo .
ainda estávamos construindo, apenas construindo nossa amizade, mas eu sempre entrego meu coração muito cedo .
talvez eu tenha exagerado em algumas coisas que disse, talvez eu tenha agido por impulso, eu só sei que me distrai por alguns dias, e quando olhei ao meu redor ele já não estava lá .
e mais um pedaço do meu coração se foi, para algum lugar que eu não posso mais alcançar, mas eu não posso mesmo fazer felizes todas as pessoas que esperam isso de mim.
vou ser aquela que sente saudades, vou sentir saudades do meu amigo, e vou sentir falta da parte do meu coração que ele congelou .


- isso dói muito .

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

razão .

eu tenho muitas coisas a dizer aqui hoje,
mas me falta coragem, me dá medo, me dá frio na barriga .
as vezes eu chego a duvidar que tudo isso está realmente acontecendo comigo,
as vezes eu tenho que me morder de levinho pra me certificar de que estou acordada,
as vezes eu tenho vontade de jogar tudo pra fora, como eu costuma fazer antes de me tornar isso ai que eu me tornei, mas eu posso conviver com o silêncio, se essa é a condição do meu paraíso secreto .
porque hoje não importa o que aconteça, eu já estou bem, sei que essas são apenas as primeiras horas do dia, mas tudo bem, nada vai mudar minha condição de felicidade hoje, nada vai tirar minha razão de viver, eu nunca permitiria .
eu nunca me permitiria perdê-lo .

ele .

ele é tão esperto .

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Meghan E .

também conhecida como Meggie .
é uma parte muito complexa da minha cabeça,
e à propósito eu a criei, ela é um pseudônimo, na verdade um pouco mais do que apenas isso .
Meghan é uma parte de mim, que têm personalidade própria .
Meghan quer que eu pare de falar sobre ela. Parei .

platônico e utópico .

as vezes eu chego a imaginar como seria se ele soubesse .
bom, não achei uma boa perspectiva, então eu prefiro guardar meu segredo .
mesmo que meus olhos vivam pra me trair, mesmo que minhas mão fiquem trêmulas e molhadas perto Dele, mesmo que meu coração ameace saltar do peito, e mesmo que eu fique vidrada e fascinada por ele, ele parece não notar, ou parece achar normal, e isso me diverte tanto .
quando penso nele, tenho a sensação de estar caminhando num vale ladeado por eucaliptos, sinto o frescor em minha pele, sinto uma vontade irreprimível de sorrir e ficar bem, e ele não sabe de nada disso, não sabe que quando sinto seu toque, cada célula do meu corpo parece vibrar em adoração .
então por que eu diria algo a ele?
por que eu correria o risco de afastá-lo?
quando eu cheguei a pensar em desistir, e procurei algo pra me segurar a essa vida, eu o encontrei de braços abertos, e eu estou abrindo os meus agora, agora eu sou um livro aberto, mas não um livro decodificado, estou aqui, estou receptiva, como não estive à muito tempo, estou abrindo mão do meu segredo pra dizer que estou apaixonada, por alguém platônico e utópico .
mas de nada me importa essa proximidade de que as pessoas tanto precisam, pois quando eu amo, consigo ignorar facilmente a distância, o medo, e toda a utopia, mas por hoje eu fico com meu segredo .
meu segredo platônico e utópico .

domingo, 9 de janeiro de 2011

setembro .

O mundo real,
eu sabia, eu sentia que havia algo errado, eu sabia que algo ainda podia me machucar.
eles não sabem nada de mim, eles usam as pessoas ao meu redor, eles machucam, me machucam muito .
não sei mais o que postar aqui, estou tão cansada, como não estive a muito tempo, eles me fizeram sentir toda dor novamente, toda dor que eu cheguei a pensar que os anos pudessem ofuscar .
eles me fizeram ver o quanto invisível nós eramos para o mundo, mas fomos felizes.
tivemos um inverno difícil, e não conseguimos sobreviver à primavera, e até hoje eu me pergunto, porque setembro têm sido tão cruel comigo?
até hoje eu me pergunto se eu fui apenas uma filha de doze anos, cuja família teve um final infeliz .
Setembro, por que têm sido tão cruel comigo?

adversidade .

há um grito preso em minha garganta, há muita coisa presa aqui dentro, há sede, há o gelo derretido que insiste em transbordar, mas eu tenho que ser forte, e há um coração reconstruído aqui dentro, minha mente está mais sóbria a cada dia, mas eu já nem sei se isso é bom ou ruim .
estou assustada com o que anda fazendo meu coração bater, estou com medo, muito medo, estou correndo, estou fugindo, estou fazendo o possível e mesmo que seja doloroso, estou me afastando Dele, sempre evitando, sempre fugindo, sempre esperando que as lágrimas que eu me sufoco pra conter sejam suficientes para convencer meu coração de que tudo isso é um engano terrível, estou tentando salvar meu coração, estou arriscando minha pele .
estou à beira de um precipício, e as vezes tenho a impressão de que se eu ceder à minha vontade de pular vou satisfazer todos esses meus desejos, e cedo demais vou encontrar o chão, e esse será o meu fim .
E será que vale a pena arriscar todas as partes que consegui salvar de mim mesma desde minha ultima queda? Será que vale a pena entregar tudo o que eu consegui reconstruir ao amor, mesmo sabendo que ele é o chão no fim do precipício?
Sim, eu entregarei meu coração novamente, para que o amor o destrua, e não importa o quanto eu sofra por isso .

sábado, 8 de janeiro de 2011

gelo .

meu coração virou gelo, se derretendo e transbordando aqui dentro ,
eu sinto medo, me falta o ar, e eu não posso dizer nada, o silêncio é um muro que não posso eliminar nunca, não quando se trata Dele, tenho que conviver com essa dor absolutamente só, não posso me apoiar em meus amigos dessa vez, não posso dizer nada, nada, o silêncio é minha unica defesa, pena que ele não possa me defender de mim mesma .
estou perdidamente apaixonada, estou bem próxima do que denomino como amor platônico, e meu segredo, meu segredo é que eu estava enganada, a semana toda postando sentimentos invertidos, pela pessoa errada, pela pessoa errada .
E o gelo está transbordando em meus olhos, e o resultado é que estou me afogando . estou me afogando no que sinto por ele, meu segredo, meu segredo é o engano que cometi .

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

sede .

O amor é impiedoso .
ele está segurando minha mão, e eu não estou tentando resistir, não posso .
estou apenas seguindo o caminho escuro e tenebroso para o qual estou sendo guiada, para novamente ter meu coração destruído, mas eu não preciso disso, preciso do amor de uma forma que ele nunca compreendeu, eu preciso do tipo de amor que vence qualquer barreira, preciso de mais abraços do que beijos sedentos, preciso de mais carinho do que ciúmes, preciso de mais amizade do que brigas, as vezes eu penso que tudo isso não é nada além de carência, talvez não seja mesmo, mas eu não posso deixar de pensar que estou fazendo tudo errado novamente, não posso evitar sentir medo, medo do que sinto, estou sinceramente assustada, estou apavorada, e não posso contar a ninguém o que está acontecendo comigo, porque eu sinceramente estou muito confusa para saber .
estou confusa, confusa de mais pra explicar qualquer coisa, por enquanto vou confiar somente no meu diário de papel pra desabafar sobre isso, estou assustada, como não estive a muito tempo, mas uma coisa eu posso afirmar:
O amor é impiedoso, ele quer tirar tudo de mim, até que a última gota de meu sangue seja possuída pela dor, ele me segura pelo pulso, sua mão é macia e gentil, sua prisão é segura e confortável, sua presença é fria como meu inverno preferido, e ele mantêm as folhas secas do outono caindo ao seu redor, mas eu posso ver as nuvens negras se aproximando, eu posso sentir sua segurança se tornar algo nocivo .
O amor está me guiando por um labirinto, e ele não quer que eu descubra meu caminho pra casa, ele só quer me destruir, não posso impedir as lágrimas, não posso negar que dói fisicamente, o amor está me obrigando a abrir meu coração, meu coração mutilado, a única coisa que me mantêm viva nesse momento, ele bate tão feliz no meu peito, mas eu sei que o amor está me curando pra me destruir novamente .
O amor tem sede, sede de mim, o amor quer beber as lágrimas do meu coração, ele quer que eu me engane até que reste apenas dor , o amor tem sede, sede de mim, o amor tem sede do meu fim .

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

furto .

uma briga,
dois meses de perseguição e tortura,
álcool, em grandes quantidades,
amor possessivo, e,
três tiros, três tiros,
tiraram minha razão de viver .

particular . (part I)

Acho que eu sou uma das pessoas mais burras que eu conheço, e isso acarreta vários outros problemas, pois eu nem sei se alguém um dia vai ler essas idiotices que eu escrevo e todas as minhas opiniões obscuras e distorcidas que eu criei ao longo da minha curta e intensa vida, mas as vezes eu acho que nesse canto falta falar um pouquinho do meu conto de fadas, essa é a hora de decepcionar meus leitores, agora observem um pouco da vida de uma pessoa patética:
Sempre tive uma memória incrível, me lembro de experiências minhas ainda com três anos de idade, mas acreditem isso é um castigo pra mim, me lembro de ter sido uma criança muito comum até os cinco anos, comum do tipo que sangra pelo nariz, passou por uma cirurgia séria e vê discos voadores, então muito comum, depois dessa fase eu entrei na pré-escola, já na pré-escola minha personalidade começou a ser moldada, e não era nada boa, acreditem, eu era uma criança bagunceira com cara de anjinho, aprendi a mentir muito cedo e sozinha, a mentira era meu maior talento até então, já que eu era péssima em quase tudo, eu era subnutrida, não possuia coordenação motora alguma, não era o tipo de criança simpática e amável dos sonhos das mamães, mas minha mãe não se importava com isso, minha mãe estudava para ser professora, e eu era inteligente, eu era esperta, eu sempre encontrava uma forma de me sair bem, eu era cativante, eu falava muito, todos começavam a gostar de mim quando eu falava, porque eu sempre tinha alguma coisa interessante pra dizer, nisso eu era diferente de todas as crianças que eu já conheci até hoje, eu nunca fui sincera na infância, nunca gostei de dividir o que eu sentia, nunca gostei de falar o que eu realmente pensava.
Quando comecei a freqüentar a escola, descobri que eu tinha um talento incrível pra ser má, eu humilhava as pessoas sempre que elas me irritavam, eu sabia como manipular as pessoas ao meu redor, eu sempre passava o "recreio" acompanhada das pessoas mais bonitas e ricas da minha turma, e eu era muito popular, minha vida era perfeita nesse ponto, quando eu era criança, descobri que meu maior sonho era ser popular e eu era.
Um dia quando eu estava na segunda série, me meti em uma briga, coisa que eu sempre fazia e meus pais nunca descobriam, mas dessa vez, aconteceu uma coisa inesperada, no meio da discussão uma garota que eu não conhecia disse que não valia apena brigar comigo, porque eu era só uma bastarda, eu não entendi na hora, porque algumas pessoas ficaram repentinamente distantes, e então uma professora e melhor amiga da minha que estava a caminho e ouviu o que ela disse, me abraçou e eu não entendi a situação mas aquilo me fez sentir uma dor no fundo garganta, como um nó se formando e me impedindo de respirar. Eu não sabia o que significava a palavra 'bastarda' . Mas eu logo descobriria .
Eu fui liberada para ir pra casa cedo, e não estava entendendo a situação, veja bem, quando eu era criança na cidade onde eu morava as pessoas não tinha telefones (eu sei . outro planeta), então uma funcionária da escola que já havia terminado seu expediente se ofereceu pra me levar pra casa.
Ela me deixou na porta e não quis entrar, pediu que eu chamasse meus pais, eu obedeci relutante, estava encrencada, mas minha mãe havia saído, só meu pai estava lá, e ele me olhou surpreso e foi falar com ela, ela se foi e ele veio até mim, eu estava apavorada, as regras de casa eram bem claras sobre mau comportamento na escola .
Mas ele foi doce e gentil, disse que eu poderia assistir TV e tomar um refrigerante enquanto ele ia comprar algo pra comer na padaria, ele prometeu trazer meus pães recheados com doce-de-leite favoritos, e se foi, esquecendo-se de que eu não gostava de TV tampouco de refrigerante, e então eu fui até a janela a tempo de ver minha mãe entrar na rua de casa e ele pegá-la pelo braço e levá-la na direção oposta.
Meu coração virou vidro, antes de explodir e virar pó, me senti doentia, medonha e contagiosa, e chorei desejando ser mais inteligente, mas mesmo com toda minha inocência eu sabia que algo grave estava acontecendo .
Eles voltaram, juntos, ele trazia uma sacola grande que devia conter nossas roupas de inverno, e ela trazia muitas sacolas pequenas que continham coisas da padaria, ela me olhava como se estivesse perguntando a si mesma o quanto eu sabia, parecia querer saber o que eu sentia, mas não perguntou, eu tampouco perguntei algo.
Meu pai sugeriu que eu experimentasse as novas roupas, mas ela o impediu de ir adiante, olhou em minha direção e disse: Precisamos Conversar.
E em sua voz havia um misto tão grande de sentimentos, que eu nem pude decodificá-los .

(continua)

intensidade .

Eu não o conheço. Fato .
E eu e minha amiga estávamos com os olhos fixos nele, queríamos aquele garoto, da maneira irracional que os seres humanos desejam uns aos outros .
Mas eu vi algo nele, não sei o que é e tenho medo de descobrir, é obviamente uma atração já que eu não conheço nenhuma palavra melhor pra descrever o que estou sentindo, mas tem outra coisa envolvida, e é isso que me dá medo, na verdade tem tantas coisas envolvidas que poderiam me amedrontar .
Mas o que de fato me deixa apreensiva é que ele está me ganhando muito rápido, nunca nos falamos diretamente, ontem eu estava acabada, me sentindo traída, enganada, magoada, e de repente eu ouço sua voz, pelo menos eu acho que era ele, e então eu senti algo dentro de mim, uma vontade de ir correndo e me jogar nos seus braços, o que seria ridículo .
E então ele se foi e eu fui pra casa derrotada, traindo a confiança da minha amiga que estava ali do meu lado, e ela vendo minha expressão, ela sabe de tudo, ela o queria a muito tempo, e está abrindo mão do que sente pra me ver melhor, mas ainda assim não posso me sentir menos culpada pelo que estou sentindo. E culpa é um sentimento que anda no topo de minha lista ultimamente, isso é assustador .
No caminho de volta ele estava lá, tão perto, e mesmo assim tão infinitamente longe do meu coração recentemente triturado por alguém que não merece ser lembrado aqui. Tive a impressão de que ele ia me dizer alguma coisa, mas não sabia como, e eu entendo bem disso, mas então ele se aproximou com seu amigo, e ele disse algo pra ele, nada pra mim .
Mas naquele momento eu não estava mais ali, estava viajando pelo som de sua voz, pelo calor confortável que o som me proporcionou, pelos batimentos do meu coração que vieram sem dor, pela ausência de culpa, e então eu voltei a tona a tempo de ouvir minha amiga perguntar seu nome, e ele dizer naquela voz que valia mais do que qualquer diamante pra mim, eu o ouvi dizer seu próprio nome, e viajei novamente no som, e me senti em casa, o lar que sempre procurei, me senti em casa mesmo sabendo que isso é impossível eu me senti curada, curada de tudo, até do meu próprio veneno, e ele então ficou perto, falando, falando, o som que era meu melhor antídoto, que era tudo o que eu podia ter antes que tudo desabasse novamente .
Então ele se foi, se foi não sei para onde, e eu sei que estou errada, enganada e talvez perigosamente psicótica, mas eu preciso vê-lo, preciso dele, mas não sei como, não sei se devo, não se posso correr o risco de machucar ainda mais meu coração, porque sinceramente, na minha vida eu só me machuquei, mas eu preciso tentar isso, porque ele faz meu coração bater, e ele me leva pra casa .
Sua voz me leva pra casa, e isso é absurdo, impossível, mas eu me sinto curada perto dele, me senti curada pela intensidade da sua voz, e eu nunca se quer olhei em seus olhos .

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

sempre encontra .

eu sempre olho pra baixo, eu insisto em manter meus olhos pregados no chão, e digo pra mim mesma que acabou e que não há como fugir, então esse é o fim do caminho, certo?
errado.
o chão nunca é o caminho, ele é apenas o abrigo para meus pés, ele é apenas um meio de percorrer, é uma ferramenta, não é o caminho, eu sempre exagero no drama, sempre vejo o lado ruim das pessoas, sempre me culpo extremamente por tudo o que acontece, eu sempre fui meio dura mesmo, essa é uma parte de mim que eu nunca consigo silenciar por completo, mas a cada dia eu aprendo que nunca é tarde demais, eu tenho o tempo a minha disposição, eu tenho uma vida inteira pra corrigir os erros que cometi, pra pensar bem nas coisas que pretendo fazer, antes de cometer mais e mais erros estupidamente.
então hoje eu ergui meus olhos e olhei adiante, e há milhares de saídas pra mim, na maioria delas há dor ou vergonha, há confissões que eu tenho que fazer, há erros que eu tenho que admitir, há pessoas que eu pretendia esquecer e terei novamente que reencontrar, mas qualquer coisa é melhor do que o poço onde andei metida nos últimos quatro meses.
não sei onde eu estava com a cabeça quando resolvi me isolar tanto, eu tentei mudar constantemente, tentei fugir daquilo que eu sempre gostei em mim, minha vida anda extremamente estática, eu não me reconheço mais, estava começando a ficar com medo de mim, mas estou acordando.
Tudo bem, eu voltei mundo real, agora estou começando a me lembrar de quem eu era, da garota corajosa que desafiava o mundo quando queria algo, que saia na chuva e usava a capa pra proteger seus livros de R.P.G.s, que lia a noite toda com a iluminação do celular pra viver no mundo do Stephen King, que discutia sempre que discordava com algo, e que nunca deixava nada mal resolvido, e que sempre fez planos para o futuro, eu sempre critiquei esse jeito dela, mas é bem melhor do que esse novo método meio morta que eu adotei ...
enfim, com toda a ajuda de pessoas que eu sinto que me amam de verdade, com toda a chatice de pessoas que querem o meu bem, e com um pouco de força de vontade da minha parte, estou me levantando, hoje vou até tentar dormir à noite (risos), o que eu tinha pra dizer hoje, em meu coração é que:
Você sempre encontra, não importa o que você esteja procurando você vai encontrar, não importa que caminho absurdo você tenha que seguir, não importa quanta dor a vida esteja te causando, não importa se você olha pra todos os lados e não vê nenhuma saída, ou se você só vê saídas inaceitáveis, o que importa é que sempre há um caminho saudável, sempre há uma conciliação, se você não consegue encontrá-la, olhe pra dentro de si mesmo se não encontrá-la fora.
                                                                      ...

Hoje eu olhei pra dentro de mim, e tive um desejo, no começo eu o repugnei seriamente, mas então eu resolvi me arriscar, fosse o que fosse eu ia tentar, ia deixar de lado minha mania de ver as pessoas como seres inatingíveis, então, baixei a guarda e pedi pra conversar com ele, que eu sempre achei ser um garoto distante e metido, alguém que nunca pensei que falaria comigo, e então essa foi só mais uma porta que eu abri, mais uma ponte que eu cruzei, mais uma parte do meu orgulho da qual eu me desfiz, e então ganhei um amigo, alguém me aceitou sem desconfiança, sem falsidade, e sem toda aquela pretensão me dá medo nas pessoas, e percebi que as vezes vale a pena ser mas humilde e compreensiva do que eu costumava ser, aprendi em uma única conversa com o Carlos que é importante ouvir as pessoas, porque ele me ouviu quando eu precisava falar, é assim que os amigos devem ser, eu só posso dizer então que quando a gente tem coragem de baixar a guarda, as vezes vale a pena.
Espero que nossa amizade dure e seja sempre sincera como começou, porque hoje Kenry Sixx deixa de ser apenas mais um vizinho qualquer de blog, ou mais um número na minha lista de amigos do orkut, pra realmente ser um amigo pra mim, como deveria sempre ter sido, se eu não fosse tão orgulhosa, mas chega de pensar que é tarde demais, porque quando a gente encontra um amigo nunca é tarde pra construir uma amizade sincera, e a gente encontra uma saída, sempre encontra .

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

insônia .

ela não têm representado um problema pra mim, porque eu a vejo mais como uma solução.
as pessoas são falsas, mentirosas, hipócritas, sádicas e profundamente egoístas, e eu sou uma pessoas, e não posso fugir de quem eu sou, o que é um inferno por sinal.
hoje eu estou dizendo coisas sem sentido, hoje eu estou mesmo sem sentido,
eu só queria que alguém pra me abraçar com um pouco de sinceridade, sem cobranças, sem perguntas, sem rótulos, sem questionamentos, hoje eu só queria um abraço, um abraço mudo, surdo e cego.
eu só queria ter alguém pra me colocar pra dormir, alguém pra estar sempre comigo, livre do veneno das palavras, livre do mundo, queria alguém no meu mundo, e esse mundo então seria nosso mundo, só nosso .

domingo, 2 de janeiro de 2011

reflexo .

eu vejo a porta aberta, eu vejo muitas possibilidades,
eu sei que estou mentindo, eu sei que estou fazendo tudo errado,
eu sei quem eu sou e isso me dá medo.
estou vendo meu reflexo, meu reflexo no espelho, isso não me acalma,
quase posso ouvir os soluços abafados dos corações que estou prestes a partir,
quase posso sentir o medo, o frio e a solidão das pessoas que estou magoando,
elas não sabem disso,
quase posso sentir as lágrimas quentes caindo,
a respiração ofegante,
os lábios sendo mordidos,
e eu ainda insisto em dizer que eu amo essas pessoas, não sei que tipo de monstro sádico me tornei, eu só sei que estou afundando, num poço de corações que eu vou partindo por onde eu passo, não deixando nada além de mágoas, nada além de dor.
eu me olho no espelho, e não vejo nada em minha expressão, é um rosto vazio, é uma máscara, é meu próprio reflexo mentindo pra mim, há uma parte de mim que eu não reconheço mais, há um reflexo no espelho e não é o meu .

nome .

Érika, versão alemã ou francesa de Érica, do norueguês: constantemente possante .

Significa sempre poderosa e indica uma pessoa perseverante, que realmente se dedica ao que faz. Tímida por fora, no íntimo se orgulha dos seus inúmeros talentos e da sua romântica sensualidade.


possante: capaz de produzir efeito de vulto, forte, robusto, poderoso.




Fonte: algum lugar do google .

sábado, 1 de janeiro de 2011

realmente .

Eu sou Érika Prates Oliveira, e sim eu tenho um passado triste,
mas de que importa, de que importa isso para o resto do mundo?
de que importa isso para essa sociedade fria e calculista onde eu sou obrigada a viver cada dia,
de que importam meus pesares onde eu só tenho valor quando tenho dinheiro, de que importa o que há dentro de mim para pessoas que não me olham nos olhos quando eu estou triste, onde foi parar aquela amizade que eu achava que conhecia tão bem? onde foram parar aqueles abraços que curavam qualquer dor? onde foram parar aqueles beijos que me faziam esquecer de uma vida que eu daria tudo pra não lembrar?
onde foi parar minha identidade? o que aconteceu com aquela certeza que eu sempre tive?
Acho que sei todas as respostas, sim eu acho que sei, acho que elas estão bem ao meu alcance, estão perto sempre perto de mim, num lugar obscuro que eu prefiro nunca visitar, acho que eu sei o que aconteceu comigo, acho que no fundo todos sabem o que aconteceu comigo, as vezes eu acho que estou num grande palco e que minha vida não passa de um espetáculo trágico para divertir, por pura maldade, por pura crueldade, me sinto envergonhada, me sinto nua, me sinto exposta, me sinto fria e abandonada, me sinto um lixo cada vez vez que vejo meu reflexo no espelho, eu sinto o gosto amargo de cada mentira que eu conto, eu sinto repulsa cada vez que penso em como estou vivendo, me sinto um barco à deriva, me sinto um barco solitário à deriva.
Estava de asas abertas, era um lindo precipício, ouvia sua voz convidativa e ela me chamava, você era todos os medos que eu tinha, você era tudo o que eu mais queria, e você me deu asas, me deu suas asas, e você não tinha nada, você não era nada, porque você me deu tudo, tudo o que tinha, e não havia nada maior, nada maior do que o que eu achava que você sentia, e você me chamava, sempre me chamava, você tinha meu coração nas mãos, eu o arranquei de mim, e dei pra você, mas você queria mais, você queria a mim, meu coração nada significou, e você novamente me convidou a pular, e eu voaria direto para seus braços, e você seria forte, forte por nós dois.
então eu abri minhas lindas asas e pulei em direção à sua voz, e abandonei a vida que eu tinha, toda minha segurança, abandonei tudo o que eu tinha, tudo o que eu era, mas as asas se foram, você se foi, sobre meu coração eu nem sei o que dizer, só há escuridão aqui, solidão, silêncio, frio e medo. medo de me olhar no espelho e ver o que restou de quem eu costumava ser, estou perdida, estou perdida sem você, estou querendo que alguém me diga o que aconteceu comigo, mas ninguém pareceu notar minha queda, ninguém sabe da minha dor, ninguém me olha nos olhos, ninguém têm sido sincero comigo ultimamente, porque eu não quero sair, não quero ficar, não quero beijos, não quero promessas.
Onde foram parar aqueles abraços que podiam curar qualquer dor?
Eu me sinto um barco à deriva, eu realmente me sinto um barco abandonado à deriva.