quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

particular . (part I)

Acho que eu sou uma das pessoas mais burras que eu conheço, e isso acarreta vários outros problemas, pois eu nem sei se alguém um dia vai ler essas idiotices que eu escrevo e todas as minhas opiniões obscuras e distorcidas que eu criei ao longo da minha curta e intensa vida, mas as vezes eu acho que nesse canto falta falar um pouquinho do meu conto de fadas, essa é a hora de decepcionar meus leitores, agora observem um pouco da vida de uma pessoa patética:
Sempre tive uma memória incrível, me lembro de experiências minhas ainda com três anos de idade, mas acreditem isso é um castigo pra mim, me lembro de ter sido uma criança muito comum até os cinco anos, comum do tipo que sangra pelo nariz, passou por uma cirurgia séria e vê discos voadores, então muito comum, depois dessa fase eu entrei na pré-escola, já na pré-escola minha personalidade começou a ser moldada, e não era nada boa, acreditem, eu era uma criança bagunceira com cara de anjinho, aprendi a mentir muito cedo e sozinha, a mentira era meu maior talento até então, já que eu era péssima em quase tudo, eu era subnutrida, não possuia coordenação motora alguma, não era o tipo de criança simpática e amável dos sonhos das mamães, mas minha mãe não se importava com isso, minha mãe estudava para ser professora, e eu era inteligente, eu era esperta, eu sempre encontrava uma forma de me sair bem, eu era cativante, eu falava muito, todos começavam a gostar de mim quando eu falava, porque eu sempre tinha alguma coisa interessante pra dizer, nisso eu era diferente de todas as crianças que eu já conheci até hoje, eu nunca fui sincera na infância, nunca gostei de dividir o que eu sentia, nunca gostei de falar o que eu realmente pensava.
Quando comecei a freqüentar a escola, descobri que eu tinha um talento incrível pra ser má, eu humilhava as pessoas sempre que elas me irritavam, eu sabia como manipular as pessoas ao meu redor, eu sempre passava o "recreio" acompanhada das pessoas mais bonitas e ricas da minha turma, e eu era muito popular, minha vida era perfeita nesse ponto, quando eu era criança, descobri que meu maior sonho era ser popular e eu era.
Um dia quando eu estava na segunda série, me meti em uma briga, coisa que eu sempre fazia e meus pais nunca descobriam, mas dessa vez, aconteceu uma coisa inesperada, no meio da discussão uma garota que eu não conhecia disse que não valia apena brigar comigo, porque eu era só uma bastarda, eu não entendi na hora, porque algumas pessoas ficaram repentinamente distantes, e então uma professora e melhor amiga da minha que estava a caminho e ouviu o que ela disse, me abraçou e eu não entendi a situação mas aquilo me fez sentir uma dor no fundo garganta, como um nó se formando e me impedindo de respirar. Eu não sabia o que significava a palavra 'bastarda' . Mas eu logo descobriria .
Eu fui liberada para ir pra casa cedo, e não estava entendendo a situação, veja bem, quando eu era criança na cidade onde eu morava as pessoas não tinha telefones (eu sei . outro planeta), então uma funcionária da escola que já havia terminado seu expediente se ofereceu pra me levar pra casa.
Ela me deixou na porta e não quis entrar, pediu que eu chamasse meus pais, eu obedeci relutante, estava encrencada, mas minha mãe havia saído, só meu pai estava lá, e ele me olhou surpreso e foi falar com ela, ela se foi e ele veio até mim, eu estava apavorada, as regras de casa eram bem claras sobre mau comportamento na escola .
Mas ele foi doce e gentil, disse que eu poderia assistir TV e tomar um refrigerante enquanto ele ia comprar algo pra comer na padaria, ele prometeu trazer meus pães recheados com doce-de-leite favoritos, e se foi, esquecendo-se de que eu não gostava de TV tampouco de refrigerante, e então eu fui até a janela a tempo de ver minha mãe entrar na rua de casa e ele pegá-la pelo braço e levá-la na direção oposta.
Meu coração virou vidro, antes de explodir e virar pó, me senti doentia, medonha e contagiosa, e chorei desejando ser mais inteligente, mas mesmo com toda minha inocência eu sabia que algo grave estava acontecendo .
Eles voltaram, juntos, ele trazia uma sacola grande que devia conter nossas roupas de inverno, e ela trazia muitas sacolas pequenas que continham coisas da padaria, ela me olhava como se estivesse perguntando a si mesma o quanto eu sabia, parecia querer saber o que eu sentia, mas não perguntou, eu tampouco perguntei algo.
Meu pai sugeriu que eu experimentasse as novas roupas, mas ela o impediu de ir adiante, olhou em minha direção e disse: Precisamos Conversar.
E em sua voz havia um misto tão grande de sentimentos, que eu nem pude decodificá-los .

(continua)

2 comentários:

  1. Oi Érika!!!! Como passou as festas??? Espero que bem!!!! Quero saber o resto da história!!!! Gostaria de poder ajudar!!!
    Bjos!!!!

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  2. Estive bem sim, agora estou um pouco confusa, mas vai passar, logo logo, eu posto o restante pra você amiga, obrigada por me ouvir, isso é muito importante pra mim .
    Espero que esteja bem também .

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