Eu achava que sabia de tantas coisas, eu achava que era capaz de fazer muitas coisas. Eu não sei e respectivamente eu não sou.
Eu achava que eu era má, e então percebi que eu era uma gota d'agua num mar de sangue.
Eu achava que poderia magoar alguém, mas até nisso eu sou insuficiente.
Eu me considerava importante demais.
Eu podia abrir os olhos e te dizer: "Eu sou seu pior pesadelo!"
Mas eu não sou nada disso. Eu era uma gota d'agua num mar de sangue.
Eu era transparente demais, talvez pequena demais para ser notada. Mas eu era diferente.
Ainda sou diferente. As vezes boa, as vezes má. Eu não sou impressionante como fogos de artifício, mas quando eles se consomem nos céus eu brilho com suas luzes. O sangue não brilha.
O sangue é o sangue, absorve tudo ao seu redor, e embora eu tenha passado a vida inteira tentando ser como o sangue, eu ainda sou água, e água é apenas água, que reflete tudo.
A vida inteira eu me lamentei por nunca conseguir manter nada, as coisas sempre passaram por mim e se foram, e eu apenas servi para que elas se lavassem, só restavam as coisas ruins, isso parecia tão triste do meu ponto de vista.
Não lamento mais, não desejo ser nada além de uma gota d'agua e continuar por aí lavando as coisas ruins das outras pessoas. Ainda posso ser só eu mesma, e brilhar de vez em quando, e eu não vou me queimar por isso .
Memórias de uma gota d'agua .
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada por chegar até aqui .