quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Mãe .

Eu estava na chuva, a chuva estava dentro de mim, em todos os lugares, o sol estava no céu e brincava comigo, o vento sorria pra mim, e a chuva me levou, ela estava lá dormindo como uma boneca, frágil, de um jeito que eu não conhecia, e a chuva doía dentro de mim, mas ela disse: " Guarde ela pra você, me mate, não chore por mim!"
E eu fiquei, chovendo por dentro, eu brinquei com o sol, eu sorri para o vento, porque você estava longe demais pra segurar a minha mão, e você nunca mais voltaria, me deixou pra sempre, e o tempo não cura nada, porque o sol, o vento e a chuva ainda estão aqui em seus lugares.
A dor sempre foi minha companheira, mas eu a levei comigo sem nunca reclamar, porque você me pediu pra nunca deixar a tempestade me vencer, mas eu nunca fui forte, nunca fui como você, você sempre foi boa de mais pra ver meus defeitos, você não sabe como doí fingir um dia após o outro, mas eu sei que no fundo eu não tenho enganado ninguém, nem a mim mesma.
E todas as vezes que eu penso, em quanto eu signifiquei pra você isso não ajuda, aumenta minha responsabilidade, porque eu queria ser mais forte pra não causar mais dor a você, mas eu não sou, eu sou um abrigo de nada, um lugar supostamente protegido, eu sou minha própria ruína, o que restou daquilo que a gente viveu, eu sou a tempestade invertida, o dia que nunca chega, a dor que nunca se vai, eu sou os sentimentos covardemente guardados, supostamente esquecidos, eu sou exatamente o oposto do que você queria que eu fosse.
Cada vez que eu guardo a dor pra mim, ela vai pra você como um tapa na cara, e isso me mata, a cada segundo, eu não posso esconder nada de você, e todas as vezes que tentei eu falhei, as vezes eu quero mostrar pro mundo que esqueci de tudo, mas eu não escondo nada, nada de você, e você é tudo que importa pra mim, então agora que você me deixou eu não tenho nada.
Eu cheguei a pensar que cinco anos mudariam meu modo de ver as coisas, me enganei, eu tenho tendência a cometer enganos fatais, a acreditar nas pessoas erradas, você percebeu como isso acontece sempre?
Eu sempre vou embora da forma mais insana, eu sempre acho que o tempo vai curar, eu sempre digo coisas idiotas que não posso corrigir, eu sempre fujo quando fico envergonhada, eu sempre choro quando não consigo resolver, eu sempre entro em pânico quando eu erro e sempre desisto antes do fim, eu sempre decepciono você, sempre foi assim, eu nunca aprendi nada, eu nuca prestei atenção no que você disse.
Eu te amava, e tudo perdeu o sentido quando você se foi, e me diga, qual foi a ultima coisa que eu disse pra você?
Eu quero morrer cada vez que me lembro, a tempestade me venceu, sinto muito, eu nunca fui forte, nunca fui como você, e o dia em que o tempo cura as coisas, é o dia que nunca vai chegar.
Cinco anos de distância, seis anos sem um abraço seu, nada mudou.

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