quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

miserável .

' eu estava indo muito bem, até o dia em que uma porta se abriu pra mim, uma porta que sempre esteve ali espreitando, convidativa, uma porta pra um lugar desconhecido, mas que intuitivamente eu sempre soube de que se tratava, no fundo sempre soube onde a porta me levaria e por muitas vezes tentei cruzá-la, e também por pura intuição eu soube que a chave do mistério da porta era o tempo.
esperei, por anos, impaciente, as vezes enfurecida, as vezes apenas fascinada pelo domínio que a porta exercia sobre mim, mas nos últimos dias que passei diante dela minha companhia foi somente a dor e a solidão, a dor física e a dor que me consumia por dentro, e a solidão com toda sua crueldade já conhecida.
e então a porta se abriu pra mim, e quando olhei minhas mão havia nelas um pergaminho com um mapa, um mapa simples e pequeno, fácil de decodificar, enquanto eu seguia em direção ao caminho onde o mapa dizia "primeiro destino", não pude evitar me distrair com as maravilhas do caminho, e eu não poderia jamais imaginar que eu estava perdendo muito mais do que meu precioso tempo, mas eu perdi, perdi coisas no caminho que caíram sem que eu percebesse, e as distrações que antes pareciam importantes se tornaram tão insignificantes quando cheguei ao meu destino final, porque eu perdi coisas muito mais importantes do que dinheiro, status, popularidade ou até mesmo pessoas que eu amava, eu perdi algo meu, algo que o ser humano não se pode dar ao luxo de perder, não me orgulho de dizer isso, mas no fim do meu caminho eu encontrei um espelho, apenas isso, e um pergaminho rasgado no chão, onde meu caminho deveria continuar, mas ele não tem mais sentido, alguém percebeu isso antes de mim.
e quando eu me olhei no espelho não me reconheci, e então percebi quão grande foi minha perda, porque onde antes ficavam meus olhos brilhantes, haviam agora os olhos de uma parte de mim que eu nunca quis conhecer, os olhos de alguém miserável, miserável ao máximo.
e se o pergaminho estivesse lá intacto, eu acho que ainda assim não seguiria em frente.

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