quarta-feira, 12 de outubro de 2011

infância .


Eu gostava muito de sol e o cheiro da chuva me irritava. Gostava de viver de olhos abertos, de sentir o vento forte em meu rosto, de cantar bem alto minhas canções preferidas.
As coisa eram simples, mas eu gostava de complicar.
Eu queria crescer, acreditava que isso me tornaria livre, que boba eu, pensei que os adultos fossem frios por opção.
Eu não fazia ideia do quanto dói ter um coração partido no peito. Eu não fazia ideia de como é sorrir sem vontade alguma, de como é sentir sua garganta apertar e ter que olhar para cima e morder os lábios por não poder chorar. Eu não sabia o que era andar por um caminho inútil e mesmo assim não poder desistir. Eu não sabia como era ter que cuidar do coração de quem destruiu o meu.
Eu tenho que seguir, e não olhar para trás, se fosse só saudade tudo bem, mas é vontade de voltar também.
Eu não gosto mais de sol, e o barulho da chuva é minha canção de ninar, o cheiro eu nem sinto mais. O vento estraga meu penteado, fujo dele. E as canções, elas só me estragam todo o meu disfarce, não posso me dar ao luxo de ouvi-las.

Um comentário:

  1. adorei o texto
    realmente tbma achava que seria melhor quando estivesse livre,bj

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