Muitas coisas mudaram ao meu redor. É como se nada fizesse muito sentido agora.
Eu costumava pensar que a vida era mais divertida, mais cativante; engano meu, a vida é uma rotina, um caminho, um papel em branco que você precisa preencher com suas cores e texturas, usando sua criatividade e todo o seu tempo.
Eu estou andando delicadamente nas margens do meu papel, estou seguindo uma trilha reta, sem curvas, sem desvios, e em meu caminho tampouco há cores, não as quero, não as venero, elas são boas, mas só machucam quando se vão. Estou cansada dessas coisas boas, que vem me me alegram e repentinamente vão embora e me deixam sangrando, em pedaços. Não as quero mais, não quero nada disso!
Enfim, meus beijos e meus abraços já não são grandes coisas, eu estive certa quando disse que não seria mais a mesma desde o último inverno, a primavera me trouxe flores mas elas não amenizaram nada; o verão me troxe um calor issuportável, além de cicatrizes que nunca vão se curar, e esse outono têm um gosto amargo; não vejo esperança nenhuma no inverno.
Mas a vida continua, o tempo não para e eu fiz promessas, e tenho que cumpri-las pra continuar sendo quem eu sou. Não posso esperar que o tempo me cure, pois o tempo não cura nada, não ouve ninguém. Tenho de me suturar sozinha, tenho que seguir em frente, vou encontar um caminho, tenho que encontrar.
Saudades do meu lar.